Biodiversidade do solo precisa ser mais valorizada nas políticas públicas globais

A relação entre solos e biodiversidade foi o tema das conferências internacionais dessa terça-feira (14/8) durante o 21º Congresso Mundial de Ciência do Solo, que reúne cerca de 4.000 pessoas de mais de 100 países até o dia 17/8 no Rio de Janeiro (RJ). O tema foi apresentado por dois acadêmicos muito conceituados que atuam em universidades norte-americanas: Pedro Sanchez (Universidade da Flórida) e Diana Wall (Universidade do Colorado).

Sanchez falou sobre os solos do mundo e como tratá-los adequadamente, conciliando seu uso com nossas necessidades de alimentação, combustível e água de qualidade. O professor tem larga experiência sobre solos de diferentes partes do mundo, com foco nos de climas tropicais. Isso porque desde que iniciou sua carreira como cientista, esse cubano já morou nas Filipinas, Colômbia e Peru, aonde conduziu estudos com solos voltados à redução da pobreza e da fome.

Sanchez é atualmente um dos mais importantes nomes em solos tropicais do planeta. Hoje, por volta de 15 milhões de pessoas não enfrentam mais a fome muito em virtude do trabalho desse professor, que direcionou esforços de governos e iniciativa privada para providenciar fertilizantes e sementes híbridas em prol de pequenos produtores. Seus dados comprovam que esse apoio simples custa bem menos do que ajuda humanitária e produz efeitos positivos em cascata.

Além disso, liderou pesquisa inovadora no manejo do solo para melhorar a produção de alimentos no mundo tropical. Seu trabalho influenciou a pesquisa em agronomia, ecologia e mudou a forma como a tecnologia é usada para aumentar a produção de alimentos, o que lhe rendeu indicação para a Academia Nacional de Ciências dos EUA em 2012.

O diverso, mas pouco conhecido, mundo dos solos

Já a professora da Universidade do Colorado, Diana Wall, enfocou a importância de se conhecer melhor a biodiversidade dos solos para alavancar estudos nessa área. Os solos envolvem um complexo sistema, no qual animais, insetos e microrganismos interagem o tempo todo. Segundo Wall, “os solos são hoje temas de agendas globais, mas a biodiversidade é esquecida”.

É premente investir mais em pesquisas nessa área, afirma a professora. A microbiota do solo contribui para a sustentabilidade agrícola, melhorando o rendimento das culturas e a absorção nutritiva.

Ela coordena a rede mundial Global Soil Biodiversity, que reúne 1300 cientistas de 115 países. Alguns dos resultados obtidos por essa rede estão disponíveis no Atlas de Diversidade Global de Solos, lançado recentemente.

Fonte: Embrapa por Fernanda Diniz.



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